Novelando

É Possível Crescer da Noite pro Dia?

SME Itinerante.

Assim foi chamada a política da senhora Secretária para acompanhar as escolas com índices de desempenho baixo, quando em 2009 assumiu a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro.

Um dia é reservado para que diretores de escolas com baixo desempenho, apresentem à Secretária e toda sua comitiva, um plano de melhorias para elevar o índice.

Geralmente o espaço para tal apresentação é um auditório de CRE ou uma escola. Durante o dia cinco escolas em média se apresentam e sofrem de todas as partes, sabatina sobre seu trabalho. Um almoço com a Secretária é um bom momento para troca e percepção dos problemas.

Estratégia muito boa e admirável. A escola que se apresenta obriga-se a olhar seus erros e a planejar melhor suas ações, facilitando assim um olhar holístico sobre a gestão. As CREs dão todo o apoio necessário para que a diretora possa fazer esse trabalho e orientam inclusive o que DEVE e o que NÃO DEVE ser dito para a Secretária.

É um processo de crescimento na gestão. Digo isso por experiência própria. Aprendemos a não determinar os erros como impossibilidades e a buscar caminhos para a solução de problemas.

Lindo. Como sempre falo, a maneira de gerir da nossa secretária é muito boa, o erro está no processo. É aí que entra a política suja de pessoas incompetentes que necessitam manter um cargo a qualquer preço.

Se a ação é para que a escola cresça e os alunos aumentem seu desempenho, é evidente que a secretaria também consiga perceber os erros e planeje ações para a melhoria do processo. Certo? Exemplo disso seria nestas andanças a comitiva e a assessoria da Secretária perceber os problemas sociais que interferem no aprendizado dos alunos, assim como perceber os erros de gestão que podem comprometer o desempenho.

Concordo que muitas vezes a direção de uma escola tem em suas mãos as rédeas para elevar o desempenho e não conseguem por ignorância mesmo. Daí, o curso de Gestão oferecido pela secretaria e obrigatório para os diretores. Concordo que existam muitas diretoras de escolas que não exerçam uma liderança eficiente sobre uma equipe de trabalho para se conseguir índices aceitáveis. Concordo que tenha sido necessário a troca de muitas direções de escolas, com exonerações.

Porém, percebo que não é só isso. Não pode ser apenas responsabilidade da gestão escolar todo o fracasso. Existe uma série de agravantes que precisam ser analisados. Não estamos falando de uma excelência? Então que a excelência seja completa.

O fracasso não pode ficar apenas na conta dos diretores. Uma verdadeira diagnose precisa considerar todos os aspectos do processo para que o problema seja resolvido. Nesse sentido temos um fator importantíssimo que é a especificidade da educação. Não estamos lidando com linha de montagem de uma fábrica ou com um grupo de artistas que precisam produzir um espetáculo. Estamos lidando com o ensino aprendizagem de toda a sociedade.

Não sou eu quem afirma que os elementos sociais são fundamentais nesse processo. Estudiosos respeitadíssimos e citados a todo momento por essa secretaria, como Paulo Freire entre outros, nos ensinam isso.

E é aí que entra o defeito da “SME Itinerante”. Não se pode falar para a Secretária que temos problemas no entorno da escola com a violência, a agressividade, a banalização dos valores a desestrutura familiar e que isso reflete diretamente no desempenho dos alunos. E que são problemas que não compete a escola resolvê-los. Nos tornamos impotentes muitas vezes.

Não quer dizer que não possamos fazer algo. Podemos sim! Somo profissionais da educação e somos capazes de minimizar tais influências. O problema é a análise.

Se eu tenho toda essa problemática como ponto crucial do meu baixo desempenho, vou planejar ações que minimizem isso, mas preciso ter a clareza que não vou elevar os índices em seis meses ou um ano, e que tais índices não podem ser os mesmos que os de uma comunidade estruturada e sem esses transtornos.

O crescimento real é gradativo. Quando assim acontece, temos um crescimento fortalecido. A solidez está nesse sentido. Se tivermos um crescimento em tempo acelerado, é como ter um animal alimentado por hormônios de crescimento. Vai fazer mal ou não é real.

Pular de 2,7 para 6,8 é algo que merece atenção. Vamos analisar? São dados reais? Pode ter havido manipulação? Será que esse crescimento vai se manter? Realmente isso é possível?

A escada se sobe degrau a degrau!

A SME Itinerante não vê esse crescimento. Existe a meta da secretaria e ela tem que ser atingida independentemente da realidade de cada comunidade. O desempenho da escola melhora depois de um trabalho de gestão empenhado, mas não chega a atingir a meta.

Conclusão: A trabalho realizado não é bom!

Fica a minha pergunta: “Quem faz essa análise?”








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