Novelando

sábado, 22 de junho de 2013

Protestar é Preciso!

Coisa mais linda a movimentação da população brasileira nesse momento!

Difícil acreditar que tamanha mobilização tenha sido possível.

Durante anos percebo o quanto as pessoas reclamam. Na fila do banco, do mercado, na esquina, na banca de jornal, na fila da caixa da padaria... todo mundo reclama.

Interessante é perceber que todas as reclamações são plausíveis. Todos reclamam com razão. O povo brasileiro reclama de quase tudo.

Você conhece alguém que esteja plenamente satisfeito? Eu também não.

Pois é... é isso que faz somar uma multidão de pessoas nas ruas. Não existe uma causa única. Existe uma gama de reclamações.

É o banco que tomou o dinheiro, a light que cobrou absurdamente a conta da luz, o preço do tomate que aumentou astronomicamente, o salário que está estagnado um tempão, a UPP que estimulou os assaltos no bairro, a hipervalorização do imóvel no Rio de Janeiro por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas, os cracudos que atravessam na frente do carro na Avenida Brasil, o engarrafamento... ah o engarrafamento que agora não tem mais hora para acontecer, os parlamentares ganhando aumentos sobre um montante que já não é pequeno e sem a menor burocracia, o Bolsa Família, Cegonha, Presídio e todos os benefícios que só provocam indignação em quem tem consciência!!

E aí, os nossos governantes diante de tamanha mobilização dizem:  "Não entendo o motivo de tamanha manifestação!!"

Inocentes nossos parlamentares não? Será que eles vivem no Brasil? Ou será que a voz do povo brasileiro está rouca?

É preciso um couro pra que nos ouçam: "Vem, vem pra rua vem!!"




segunda-feira, 17 de junho de 2013

É POSSÍVEL CRESCER DA NOITE PRO DIA?

Será que é possível crescer da noite pro dia?

Claro que é! Só que...

Como vai ser esse crescimento? Ele será sadio? Será real?

Clique lá na página "É Possível Crescer da Noite pro Dia?" e leia mais uma parte da minha jornada na direção de uma escola.

É preciso atingir as metas! As metas de crescimento. Mas a que preço? Sobre quais condições?





sábado, 15 de junho de 2013

Desabafo

A situação dos profissionais de educação está complicada na cidade do Rio de Janeiro.

Fico pensando... quando foi que não esteve? Já tivemos um salário razoável durante um breve tempo, mas passou...

Quando as pessoas dizem que professor ganha pouco eu sou a primeira a gritar. Alto lá!!! Foi com esse baixo salário que criei meus quatro filhos!

Mas... e se eu estivesse em outra profissão? Será que não teria uma vida mais confortável?

A prestação do meu carro está atrasada, minha conta de luz está atrasada, meu IPVA está atrasado, meu IPTU está atrasado... vivo na corda bamba, pagando uma conta em cada mês pra poder sobreviver o mês inteiro. Ai...

Entrei de férias na matrícula que dirigia a escola, fui descontada do SODEXO. Meu auxílio alimentação não foi pago pelo motivo das férias. Isso é correto? O mais interessante é que na outra matrícula sou professora regente e estou dando aulas normalmente.

Ao questionar me informaram que realmente houve um erro. Pensei, vão depositar então esse mês o dobro do benefício. Qual foi minha surpresa ao saber que não. Quando em janeiro eu estiver de férias na matrícula de regente, vou receber normalmente... risos.

Não dá pra entender!!!!

E assim a gente vai tentando atingir as metas!!


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Analfabetos no sexto ano. Por quê?

Quem conhece uma escola da prefeitura do Rio de Janeiro que tem alunos analfabetos no sexto ano?

Conhece? Sério? Incrível! Sabe porquê? Isso não existe!

Exatamente. Não existem alunos analfabetos no sexto ano e se você conhecer algum, cuidado. Não fale isso pra ninguém, porque estará contradizendo toda a política educacional do Rio de Janeiro.

Ao dizer isso eu não sabia o que poderia acontecer. Agora eu sei.

Vai lá em "A Minha História" e leia o capítulo 'Analfabetos no sexto ano. Por quê?'.

Você vai saber o que pode acontecer.







segunda-feira, 27 de maio de 2013

Corrida Pela Meta

Em 2009, começou um novo governo no Rio de Janeiro e com ele uma nova gestão da Educação Carioca.

Iniciou-se a corrida pelas metas.

Hoje no Brasil essa já é uma realidade. Vivemos correndo atrás de metas em tudo, até na vida pessoal. O interessante é que sempre fizemos isso mas nunca identificamos a quantificação das nossas ações.

É umas das marcas de uma revolução. A Revolução Tecnológica.

Vai lá na página "A Minha História" e leia o segundo capítulo da minha vivência na direção de uma escola da Prefeitura do Rio de Janeiro e como essa corrida pelo IDEB começou.




quinta-feira, 23 de maio de 2013

Diversidade ou Confusão?


A Rede de Educação da Cidade do Rio de Janeiro, a maior da América Latina, apresenta uma grande diversidade de contratos de trabalhos.

No caso dos professores temos os que são do Fundamental I, chamados P-II e os que são do Fundamental II, chamados P-I.

Até o quinto ano, os alunos tem aulas do núcleo comum com um P-II e mais cinco tempos de aula com professores especialistas em Língua Estrangeira, Linguagens Artísticas, Educação Física e Sala de Leitura.

Do sexto ao nono ano, são os P-I que compõem a grade curricular.

Simples, certo? Errado!

Daí surge uma série de especificidades. Existem P-II com contrato de 22h30 e de 40h, P-I com contrato de 16h, 30h e 40h. É preciso garantir os 20% do tempo para planejamento, onde já começa a confusão.

Os alunos precisam de uma carga horária mínima garantida, mas pode haver amplitude de atendimento. Temos então turmas de alunos com horário parcial e turmas com horário integral.

O mais legal é que misturado a tudo isso, existem as turmas de alunos de projetos especiais, com planejamentos especiais, carga horária especial e currículo especial, sendo que do 3º ao 9º ano é necessário algum Projeto Especial para corrigir problemas de aprendizagem. Claro que tendo como problemática dois focos: correção de fluxo e analfabetismo.

Agora pega toda essa necessidade e acrescenta as creches, as escolas de Educação Infantil e o PEJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos).

Com uma necessidade tão diversificada e com contratos de trabalho tão diferenciados, é só imaginar o tumulto na hora de organizar a coisa toda.

Para melhorar a situação, as diversidades não estão agrupadas em unidades diferentes. Elas se misturam em uma unidade só de ensino.

Concluindo, uma escola pode funcionar com turmas de Educação Infantil ao 9º ano, tendo em seu cotidiano turmas de Projetos Especiais, com diversidade entre correção de fluxo e analfabetismo, turmas em horário integral, turmas em horário parcial e PEJA. Alunos que precisam tomar café da manhã, almoçar e jantar. Alunos inscritos nos Projetos do governo federal, como Mais e Educação, que tem aulas com oficineiros. O gestor tem que organizar todo esse funcionamento respeitando  as grades curriculares, os planejamentos especiais,a rotina escolar como merenda e recreio, as aulas do Mais Educação e a carga horária dos diversos contratos de trabalho dos professores.

Diversidade ou Confusão?




quarta-feira, 22 de maio de 2013

Dia Tranquilo.

Olá!

Dia tranquilo, trabalho tranquilo... claro, levando em consideração que o menino de 13 anos te manda... te manda! Que a mãe da menina quer tirar satisfação com você porque a filha dela pulou o muro e matou aula porque ela precisa "disparecer um pouco" e você fica 'falano' que a filha dela tá 'matano' aula. Que o rapazinho de 15 anos jogou o caderno pedagógico na lixeira porque "tem um monte lá dentro?! Esse tava sujo." O resto foi super tranquilo.

É desse jeito!

Início do segundo bimestre e parece que já se passou um ano!

Poxa vida heim... Wou!



segunda-feira, 20 de maio de 2013

A Minha História

Vou chamar assim os dias vividos em uma direção de uma escola da prefeitura do Rio de Janeiro.

Acabei de postar o primeiro capítulo dessa história que faço questão de contar.

Acompanhem. Você vai conhecer os bastidores da educação carioca.

Clique em "A Minha História" e leia o que tenho a dizer.

Todo domingo farei a postagem do texto e durante a semana publicarei um vídeo sobre o capítulo.

Até...

Primeiro Capítulo



Dia 30 de abril de 2013.

Foi quando tudo começou. Vou começar a contar a história pelo fim.

Neste dia foi publicado em Diário Oficial a minha exoneração.

Após quatro anos de trabalho precisei pedir pra sair. Exatamente. Tive que pedir pra sair. A política educacional do Rio de Janeiro hoje, é assim.

Em janeiro deste ano, minha chefe direta, me chamou em sua sala.

Vou tentar reproduzir o diálogo. Vou chamá-la de... Pessoa.

Pessoa: Tania, eu estou preocupada com você. Essa história de ter aulas à noite na escola não é boa...

Eu: Porquê? Qual o problema?

Pessoa: Eu não sei, mas acho que você não vai dar conta... Vai trabalhar o dia inteiro e dar aulas depois... Você vai aguentar?

Eu: Claro Pessoa. Sempre fiz isso. Apenas dois anos não estou dando aulas à noite, mas agora preciso voltar. O salário está pequeno, e tem outra coisa, eu gosto de dar aulas. Eu preciso estar em contato com alunos, não posso me afastar da sala de aula. É isso que garante uma boa gestão.

Pessoa: É... eu entendo. Mas sabe como é... seu IDEB está baixo e assim você não vai conseguir melhorar.

Eu: Pessoa, se meu IDEB for baixo novamente, eu peço exoneração. Não vou mais apresentar pra Secretária um novo plano de trabalho. Já fiz isso três vezes e todos já conhecem meu trabalho, meu plano. Me recuso fazer isso novamente. É desnecessário. Sem contar que é uma prova de incompetência. Não vou assinar isso.

Pessoa: Eu também acho. Sei que é difícil. Concordo com você.

Eu: Você sabe que eu trabalho abessa e que já reverti bastante o cenário da escola. Confio no meu trabalho. Se ainda não atingimos a meta do IDEB traçada pela Secretaria, é porque ainda não houve tempo. Não vou mais me expor. E sou convicta que não sou incompetente.

Pessoa: Claro Taninha. Eu faria a mesma coisa.

Eu: Então não se preocupe. Caso aconteça de eu ter que apresentar plano para Secretária, peço exoneração.

Pessoa: Ok.

Depois dessa conversa, solicitei que a indicação das professoras da Sala de Leitura fosse feita assim como a indicação da professora orientadora do PEJA (Programa de Jovens e Adultos), que começou no início do ano letivo, sendo as aulas noturnas. A Pessoa falou mais algumas coisas relacionadas ao trabalho e a essas indicações, onde não havia nenhum impedimento e fui embora.

Chegando à escola, chamei a Coordenadora Pedagógica e a Diretora Adjunta, dizendo-as que era pra elas se prepararem, pois mais ou menos em abril, eu pediria exoneração, pois seria quando o resultado do IDEB sairia e saberíamos se eu teria que apresentar um plano e que se assim fosse, eu faria o pedido.

As meninas ficaram loucas. ‘Que isso Meira!! O que houve?’ Contei-lhes a conversa e o clima ficou tenso. Mas os dias se passaram e o trabalho comendo solto. A idéia da minha exoneração dissipou no ar... No fundo elas sabiam que se isso acontecesse eu realmente pediria exoneração, mas pareciam não querer acreditar.

Enfim chegou abril. Logo no início do mês, a Pessoa me chamou. Fui até seu gabinete e ela...

Pessoa: Feche a porta.

Eu: Sim.

Pessoa: (Com expressão de enterro) Tania, enfim... como voçê falou, né? Você está selecionada para apresentar um plano de melhorias para a Secretária. Mas, como você disse...

Eu: Pois é Pessoa. Se é assim, peço exoneração agora. Estou oficialmente pedindo pra sair do cargo. Vou redigir uma carta solicitando minha saída.

Pessoa: É... eu fico muito chateada... mas... como você mesmo falou, né?

Eu: Pessoa, vou escrever a carta solicitando a exoneração e te entrego amanhã. Porém, vou te alertar. Vai haver represália por parte dos professores. Sou líder desse grupo, e são pessoas que não vão aceitar simplesmente minha saída. São mestres e doutores que confiam em mim e que me elegeram. Tenho a legitimidade de uma liderança do grupo. Irão questionar minha saída da direção da escola.

Pessoa: Sem problemas. Eu os receberei.

Assim, fiz oficialmente meu pedido de exoneração.






domingo, 19 de maio de 2013

Vamos Combinar...

Vamos fazer um trato.

Todos os dias deixarei aqui um recado, uma fala, uma crítica ou apenas um alô.

Semanalmente, colocarei um capítulo da minha história.

Vou contar tudo sobre os bastidores da gestão de uma escola do Município do Rio de Janeiro, a política partidária que ainda impera dentro da política educacional se sobrepondo às práticas ideológicas, o cotidiano insano de uma diretora de mais de 1000 alunos e mais de oitenta funcionários e, um pouquinho sobre o lado bom de tudo isso.

Tá combinado?

Então... até amanhã!



sexta-feira, 17 de maio de 2013

Cadê a Qualidade?

Será que alguém consegue entender que a qualidade da educação não está em materiais?

Será que nossa Secretária de Educação tem a capacidade de entender que pra se atingir a qualidade real deve-se investir nos professores e gestores dessas escolas?

Será que não está na hora da Assessoria da Senhora Secretária mudar para uma equipe mais eficiente?

Vocês conhecem a assessoria da Secretária?

Tem pessoas em cargos chaves com mais de 70 anos!! Não está na hora dessa gente ir pra casa?

É... é sobre isso e muito mais que vou falar aqui!



Está nascendo!!

E assim... nasce o Blog que estava sendo gerido!

Vou tentar fazer desse espaço o melhor pra nós, professores e alunos.

Será que vou conseguir?


Leia outra vez

Agosto

Agosto! Meio do ano. Então... em janeiro coloquei minhas metas aqui. Agora em agosto vejo que bastante coisa já caminhou. Escolhi fazer ...