Dia 30 de abril de 2013.
Foi quando tudo começou. Vou começar a contar a história pelo fim.
Neste dia foi publicado em Diário Oficial a minha exoneração.
Após quatro anos de trabalho precisei pedir pra sair. Exatamente. Tive que pedir pra sair. A política educacional do Rio de Janeiro hoje, é assim.
Em janeiro deste ano, minha chefe direta, me chamou em sua sala.
Vou tentar reproduzir o diálogo. Vou chamá-la de... Pessoa.
Pessoa: Tania, eu estou preocupada com você. Essa história de ter aulas à noite na escola não é boa...
Eu: Porquê? Qual o problema?
Pessoa: Eu não sei, mas acho que você não vai dar conta... Vai trabalhar o dia inteiro e dar aulas depois... Você vai aguentar?
Eu: Claro Pessoa. Sempre fiz isso. Apenas dois anos não estou dando aulas à noite, mas agora preciso voltar. O salário está pequeno, e tem outra coisa, eu gosto de dar aulas. Eu preciso estar em contato com alunos, não posso me afastar da sala de aula. É isso que garante uma boa gestão.
Pessoa: É... eu entendo. Mas sabe como é... seu IDEB está baixo e assim você não vai conseguir melhorar.
Eu: Pessoa, se meu IDEB for baixo novamente, eu peço exoneração. Não vou mais apresentar pra Secretária um novo plano de trabalho. Já fiz isso três vezes e todos já conhecem meu trabalho, meu plano. Me recuso fazer isso novamente. É desnecessário. Sem contar que é uma prova de incompetência. Não vou assinar isso.
Pessoa: Eu também acho. Sei que é difícil. Concordo com você.
Eu: Você sabe que eu trabalho abessa e que já reverti bastante o cenário da escola. Confio no meu trabalho. Se ainda não atingimos a meta do IDEB traçada pela Secretaria, é porque ainda não houve tempo. Não vou mais me expor. E sou convicta que não sou incompetente.
Pessoa: Claro Taninha. Eu faria a mesma coisa.
Eu: Então não se preocupe. Caso aconteça de eu ter que apresentar plano para Secretária, peço exoneração.
Pessoa: Ok.
Depois dessa conversa, solicitei que a indicação das professoras da Sala de Leitura fosse feita assim como a indicação da professora orientadora do PEJA (Programa de Jovens e Adultos), que começou no início do ano letivo, sendo as aulas noturnas. A Pessoa falou mais algumas coisas relacionadas ao trabalho e a essas indicações, onde não havia nenhum impedimento e fui embora.
Chegando à escola, chamei a Coordenadora Pedagógica e a Diretora Adjunta, dizendo-as que era pra elas se prepararem, pois mais ou menos em abril, eu pediria exoneração, pois seria quando o resultado do IDEB sairia e saberíamos se eu teria que apresentar um plano e que se assim fosse, eu faria o pedido.
As meninas ficaram loucas. ‘Que isso Meira!! O que houve?’ Contei-lhes a conversa e o clima ficou tenso. Mas os dias se passaram e o trabalho comendo solto. A idéia da minha exoneração dissipou no ar... No fundo elas sabiam que se isso acontecesse eu realmente pediria exoneração, mas pareciam não querer acreditar.
Enfim chegou abril. Logo no início do mês, a Pessoa me chamou. Fui até seu gabinete e ela...
Pessoa: Feche a porta.
Eu: Sim.
Pessoa: (Com expressão de enterro) Tania, enfim... como voçê falou, né? Você está selecionada para apresentar um plano de melhorias para a Secretária. Mas, como você disse...
Eu: Pois é Pessoa. Se é assim, peço exoneração agora. Estou oficialmente pedindo pra sair do cargo. Vou redigir uma carta solicitando minha saída.
Pessoa: É... eu fico muito chateada... mas... como você mesmo falou, né?
Eu: Pessoa, vou escrever a carta solicitando a exoneração e te entrego amanhã. Porém, vou te alertar. Vai haver represália por parte dos professores. Sou líder desse grupo, e são pessoas que não vão aceitar simplesmente minha saída. São mestres e doutores que confiam em mim e que me elegeram. Tenho a legitimidade de uma liderança do grupo. Irão questionar minha saída da direção da escola.
Pessoa: Sem problemas. Eu os receberei.
Assim, fiz oficialmente meu pedido de exoneração.
Dia 15 de novembro de 2015
Em breve estarei com meu tempo de trabalho oficial cumprido e tendo meu merecido descanso. Descanso? Não sei não heim... acho que vou arrumar umas pedras pra carregar.
Hoje estou trabalhando na GRH (Gerência de Recursos Humanos) da CRE (Coordenadoria Regional de Educação). Estou adorando meu trabalho e muitas outras coisas estou aprendendo. Novas pessoas apareceram, novas vidas pra eu me espelhar.
Eu tenho a impressão que estou com a bagagem bem recheada e sinto que posso "emprestar" algumas coisas pra quem precisar.
Talvez essas sejam as pedras que estou procurando para o meu merecido descanso!


3 comentários:
Tô passada!!!
E tem mais amiga!!
Muiiiito mais!!
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