Em outubro do ano passado, 2012, minha escola foi intimada a fazer mais uma vez a apresentação de um plano de melhorias para a escola, pois o primeiro ano ficou abaixo da média.
A escola atendia do segundo ao nono ano em 2012, porém em 2011 ainda havia o primeiro ano. Eram duas turminhas que realizaram uma prova externa aplicada por pessoas desconhecidas e que o resultado não condizia com a realidade, pois os alunos liam e bem. Tinham notas ótimas na prova da prefeitura, mas, na realização da tal da prova externa, não sabemos por qual motivo o resultado foi ruim. Questionamos mas não houve jeito. O conselho foi para que na próxima prova aplicada por pessoas externas todos os ocorridos fossem registrados. Como não havia nenhum registro... nada poderia ser feito.
Mais uma vez fui eu apresentar à Secretária de Educação um plano de trabalho para melhorar o índice do primeiro ano e sem ter mais o primeiro ano na escola. A Secretária de Educação ficou surpresa quando ao iniciar a apresentação eu informei que a escola atendia do segundo ao nono ano.
Secretária: Um momento. segundo ano? Por quê? - Indagou a Secretária à sua assessoria.
Eu: A escola está terminando a primeira etapa e a orientação foi que isso fosse feito gradativamente, absorvendo os alunos no ano de escolaridade seguinte.
Secretária: Ok.
Nesse momento percebi um olhar um tanto indagativo da Secretária. Em sua política, a Educação Carioca está dividida em três tipos de escola: Casa da Alfabetização - que atende da Creche ao 3º ano; Primário Carioca - atendendo do 4º ao 6º ano e Ginásio Carioca que atende do 7º ao 9º ano. Parece que ela percebeu que essa estrutura ainda está longe de acontecer.
Continuei minha apresentação que foi elogiada pela Secretária e logo depois fui inquerida sobre outros aspectos da escola.
Durante essa sabatina a Secretária traz um mapa da escola com todos os resultados das provas bimestrais.
Nessa inquisição ela me perguntou porque o índice do sétimo ano estava baixo. Elogiou o professor de matemática do oitavo e nono anos e fez um comentário bastante contrário à prática do professor do sexto e sétimos anos.
Respondi que o problema não estava no professor e sim no trabalho. É muito difícil alfabetizar crianças no sexto ano de escolaridade, com uma grade curricular voltada para os objetivos do sexto ano. A escola em 2012 recebeu 60 alunos analfabetos para o sexto ano. O professor de matemática assim como o de português ou história e geografia ou ainda ciências não são professores alfabetizadores. Como cobrar desses professores a alfabetização dessas crianças? E ainda, como essas crianças chegaram ao sexto ano de escolaridade analfabetos? O que houve do primeiro ao quinto? A aprovação automática de outro governo acabou em 2008. Como ainda existir aluno analfabeto no sexto ano que são originários de quinto em 2012?
Nesse momento a Senhora Secretária surpresa perguntou-me se confirmava que eu tinha na escola 60 alunos analfabetos. Se era isso mesmo. Eu respondi que no momento, em outubro, não mais. Que dos sessenta muitos haviam sido alfabetizados graças ao trabalho brilhante da professora de português que tomou o desafio pra si e alfabetizou os alunos com o apoio dos outros professores, mas que provavelmente nem todos seriam alfabetizados.
A Secretária perguntou então a sua assessoria porquê essas crianças não foram encaminhadas para uma turma de Projeto Estratégico, o que foi respondido com meias palavras.
No início do ano letivo, sabedora da problemática de alunos analfabetos no sexto ano, elaboramos um plano no ano anterior de fazer uma testagem em todos os alunos de sexto ano para nivelá-los em seus graus de dificuldades, reunindo assim aqueles com maior grau de dificuldade de leitura, incluindo os analfabetos em uma turma só para facilitar o trabalho docente. Esse plano já havia sido inclusive apresentado à Secretária de Educação no ano anterior. Quando identifiquei sessenta alunos analfabetos tentei alocar esses alunos em uma turma de Projeto o que foi negado pela CRE.
Negado por que não havia nenhum projeto que acomodasse esses alunos, pois os projetos estratégicos são para alunos defasados e esses não eram. A maioria eram alunos na idade correta de sexto ano. Solicitei então que fosse criado uma turma de projeto de realfabetização para aqueles poucos defasados e depois abrir vaga na turma para pelo menos minimizar o número de alunos no sexto ano com essa dificuldade o que também foi negado alegando-se então que não havia material para abrir mais uma turma de projeto.
A Secretária me pediu desculpas, pela Secretaria de Educação e pela CRE, pois isso jamais poderia ter acontecido. Me parabenizou enquanto gestora que enfrenta seu problema e tenta solucionar e que uma de suas assessoras iria me dar todo o apoio necessário para que todos esses sessenta alunos fossem alfabetizados até o final do ano letivo.
Nesse momento a chefe da CRE disse à Secretária:
Pessoa: Secretária, a CRE não sabia, tá?
Secretária: Pessoa, depois a gente conversa.
Assim se encerrou a minha apresentação de um plano de melhorias para o primeiro ano da escola ( a escola não tinha mais o primeiro ano).
Saí com a certeza de que desdobramentos da minha fala iriam repercutir diretamente na escola. Estava esperando o rolo compressor passar e prometi a mim mesma que jamais estaria novamente na frente da Secretária de Educação para apresentar um plano de melhorias, porque meu trabalho já estava exposto para todos e eu não iria me expor mais.

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